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Dedicatória More

"Qu''il est glorieux d''ouvrir une nouvelle carrière et de paraitre tout-à-coup dans le monde
savant, un livre de découvertes à la main, comme une comète inattendue étincelle dans
l''espace!"

X. DE MAISTRE
Capítulo I More

De como o autor deste erudito livro se resolveu a viajar na sua terra,
depois de ter viajado no
seu quarto; e como resolveu imortalizar-se escrevendo estas suas viagens.
— Parte para
Santarém. — Chega ao Terreiro do Paço, embarca no vapor de Vila Nova;
e o que aí lhe...
Capítulo II More

Declaram-se típicas, simbólicas e míticas estas viagens. — Faz o A. modestamente o seu
próprio elogio. Da marcha da civilização: e mostra-se como ela é dirigida pelo cavaleiro da
Mancha D. Quixote, e pelo seu escudeiro Sancho Pança. — Chegada a Vila Nova da
Rainha. Suplício de Tântalo. — A virtude, galardão de si mesma; e sofisma de Jeremias
Bentham. — Azambuja...
Capítulo III More

Acha-se desapontado o leitor com a prosaica sinceridade do A. destas viagens. O que devia
ser uma estalagem nas nossas eras de literatura romântica? — Suspende-se o exame desta
grave questão para tratar, em prosa e verso, um muito difícil ponto de economia política e de
moral social. — Quantas almas é preciso dar ao Diabo, e quantos corpos se têm de entregar...
Capítulo IV More

De como o A. foi passando e divagando, e em que pensava e divagava ele, no caminho da
vila da Azambuja até o famoso pinhal do mesmo nome. — Do poeta grego e filósofo
Démades, e do poeta e filósofo inglês Addison, da casaca de peneiros e do pálio ateniense, e
de outros importantes assuntos em que o A. quis mostrar a sua profunda erudição...
Capítulo V More

Chega o A. ao pinhal da Azambuja, e não o acha. — Trabalha-se por explicar este
fenómeno pasmoso. Belo rasgo de estilo romântico. — Receita para fazer literatura original
com pouco trabalho. — Transição clássica: Orfeu e o bosque de Ménalo. — Desce o A.
destas grandes e sublimes considerações para as realidades materiais da vida: é desamparado
pela hospitaleira traquitana e tem de cavalgar na triste mula de arrieiro. — Admirável
chouto do animal. Memórias do marquês do F. que adorava o chouto...
Capítulo VI More

Prova-se como o velho Camões não teve outro remédio senão misturar o maravilhoso da
mitologia com o do cristianismo. — Dá-se razão, e tira-se depois, ao padre José Agostinho.
— No meio destas disceptações académico-literárias, vem o A. A descobrir que para tudo é
preciso ter fé neste mundo. Diz-se neste mundo, porque, quanto ao outro, já era sabido...
Capítulo VII More

Reflexões importantes sobre o Bois-de-Boulogne, as carruagens de molas, Tortoni, e o café do
Cartaxo. — Dos cafés em geral, e de como são o característico da civilização de um país.
— O Alfageme. — Hecatombe involuntária imolada pelo A. — História do Cartaxo.
— Demonstra-se como a Grã-Bretanha deveu sempre toda a sua força e toda a sua glória a
Portugal. — Shakespeare e Lafitte, Milton e Chateaumargot, Nelson e o príncipe de
Joinville. — Prova-se evidentemente que M. Guizot é a ruína de Albion e do Cartaxo...
Capítulo VIII More

Saída do Cartaxo. — A charneca. Perigo iminente em que o A. se acha de dar em poeta e
fazer versos. — Última revista do imperador D. Pedro ao exército liberal. — Batalha de
Almoster. — Waterloo. — Declara o A. solenemente que não é filósofo e chega à ponte da
Asseca...
Capítulo IX More

Prolegómenos dramático-literários, que muito naturalmente levam, apesar de alguns rodeios,
ao retrospeto e reconsideração do capítulo antecedente. — Livros que não deviam ter título, e
títulos que não deviam ter livro. — Dos poetas deste século. Bonaparte, Rothschild e Sílvio
Pélico. — Chega-se ao fim destas reflexões e à ponte da Asseca. — Tradução portuguesa
de um grande poeta. — Origem de um ditado. — Junot na ponte da Asseca. — De como
o A. deste livro foi jacobino desde pequeno. — Enguiço que lhe deram. — A duquesa de
Abrantes. — Chega-se enfim ao Vale de Santarém...
Capítulo X More

Vale de Santarém. — Namora-se o A. de uma janela que vê por entre umas árvores. —
Conjeturas várias a respeito da dita janela. — Semelhança do poeta com a mulher
namorada, e inquestionável inferioridade do homem que não é poeta. — Os rouxinóis. —
Reminiscência de Bernardim Ribeiro e das suas saudades. — De como o A. tinha quase
completo o seu romance, menos um vestido branco e uns olhos pretos. — Saem verdes os
olhos com grande admiração e pasmo o seu. — Verificam-se as conjeturas sobre a
misteriosa janela. — A menina dos rouxinóis. — Censura das damas muito para temer,
crítica dos elegantes muito para rir. — Começa o primeiro episódio desta Odisseia...
Capítulo XI More

Trata-se do único privilégio dos poetas que também os filósofos quiseram tirar, mas não lhes
foi concedido; aos romancistas sim. — Exemplo de Aristóteles e Anacreonte. — O A.,
tendo declarado no capítulo nono desta obra que não era filósofo, agora confessa, quase
solenemente, que é poeta, e pretende manter-se, como tal, no seu direito. — De como S. M.
El-Rei de Dinamarca tinha menos juízo do que Yorick, o seu bobo. — Doutrina deste...
Capítulo XII More

De como Joaninha desembaraçou a meada da avó, e do mais que aconteceu. — Que casta
de rapariga era Joaninha. — Dá o A. insigne prova de ingenuidade e boa fé confessando
um grave senão do seu Ideal. Insiste porém que é um adorável defeito. — Em que se parece
uma mulher desanelada com um Sansão tosquiado. — Pasmosas monstruosidades da
natureza que desmentem o credo velho dos peralvilhos. — Os olhos verdes de Joaninha. —
Religião dos olhos pretos estrenuamente professada pelo A. Perigo em que ela se acha à vista
de uns olhos verdes. — De como estando a avó e a neta a conversar muito de mano a mano,
chega Fr. Dinis e se interrompe a conversação. — Quem era Fr. Dinis...
Capítulo XIII More

Dos frades em geral. — O frade moralmente considerado, socialmente e artisticamente. —
Prova-se que é muito mais poético o frade do que o barão. — Outra vez D. Quixote e
Sancho Pança. — Do que seja o barão, a sua classificação e descrição lineana. — História
do Castelo de Chucherumelo. — Erro palmar de Eugénio Sue: mostra-se que os jesuítas
não são a cólera-morbo, e que é preciso refazer o «Judeu Errante». — De como o frade não
entendeu o nosso século nem o nosso século ao frade. — De como o barão ficou em lugar do
frade, e do muito que nisso perdemos...
Capítulo XIV More

Emendado enfim das suas distrações e divagações, prossegue o A. diretamente com a história
prometida. — De como Fr. Dinis deu a manga a beijar à avó e à neta, e do mais que entre
eles se passou. — Ralha o frade com a velha, e começa a descobrir-se onde a história vai ter...
Capítulo XV More

Retrato de um franciscano que não foi para o depósito da Terra Santa, nem consta que
esteja na Academia das Belas-Artes. — Vê-se que a lógica de Fr. Dinis se não parecia
nada com a de Condillac. — as suas opiniões sobre o liberalismo e os liberais. — Que o
poder vem de Deus, mas como e para quê. — Que os liberais não entendem o que é
liberdade e igualdade; e o para que eram os frades, se fossem. — Prova-se, pelo texto, que o
homem não vive só de pão, e pergunta-se o de que vivia então Fr. Dinis...
Capítulo XVI More

Saibamos da vida do frade. — Era franciscano, porquê? — Dos antigos e dos novos
mártires. — Alguns particulares de Fr. Dinis antes e depois de ser frade. — Emigração.
— Explicação incompleta. — De como a velha tinha perdido a vista e Joaninha o riso. —
Sexta-feira dia aziago...
Capítulo XVII More

De como, chegando outra sexta-feira e estando a avó e a neta à espera do frade, este lhe
apareceu, contra o seu costume, da banda de Lisboa. — Porque razão muitas vezes a mais
animada conversação é a que mais facilmente para e quebra de repente. — Nova
demonstração de dois grandes axiomas dos nossos velhos, a saber: Que o hábito não faz o
monge; e que ralhando as comadres, se descobrem as verdades. — No ralhar da velha com o
frade, levanta-se uma ponta do véu que cobre os mistérios da nossa história...
Capítulo XVIII More

Descobre-se que há grandes e espantosos segredos entre o frade e a velha. — Piedosa fraude
de Joaninha. Luta entre o hábito e o monge.
Capítulo XIX More

Guerra de postos avançados. Joaninha no bivaque. — De como os rouxinóis do vale se
disciplinaram a ponto de tocar a alvorada e a retreta. — Quem era a «menina dos
rouxinóis», e porque lhe puseram este nome. — A sentinela perdida e achada...
Capítulo XX More

Joaninha adormecida. — O demi-jour da coquette. — Poesia do Flos-Sanctorum. — De
como os rouxinóis acompanhavam sempre a menina do seu nome; e do bem que um deles
cantava no bivaque. — Retrato esquiçado à pressa para satisfazer às amáveis leitoras. —
Pondera-se o triste e péssimo gosto dos nossos governantes em tirarem as honras militares ao
mais elegante e mais nacional uniforme do exército português. — Em que se parece o autor
da presente obra com um pintor da Idade Média. — De como os abraços, por mais
apertados que sejam, e os beijos, por mais intermináveis que pareçam, sempre por fim...
Capítulo XXI More

Quem vem lá? — Como entre dois litigantes nem sempre goza o terceiro. — Carlos e
Joaninha numa espécie de situação ordeira, a mais perigosa e falsa das situações.
Capítulo XXII More

Bilhete de manhã da prima ao primo. — Enganam a pobre da velha. — Noite mal
dormida. — Da conversa que teve Carlos com os seus botões. — A Joaninha que ele
deixara e a Joaninha que achou. — Obrigações de amor, triste palavra. — A mulher que
ele amava, e se ele a amava ainda. — Quesitos do A. aos seus benévolos leitores. Declara
que com os hipócritas não fala. — Quem há de levantar a primeira pedra? — Dois modos
diferentes de acudir uma coisa ao pensamento...
Capítulo XXIII More

Continua a acudir muita coisa vaga e encontrada ao pensamento de Carlos. —
Dança de fadas e duendes. — Fr. Dinis o fado mau da família. — Veremos, é
a grande resolução nas grandes dificuldades. — Carlos poeta romântico. —
Olhos verdes. — Desafio a todos os poetas moyen-âge do nosso tempo.
Capítulo XXIV More

Novo Génesis. — O Adão social muito diferente do Adão natural. — Carlos sempre um
pelos seus bons instintos, sempre outro pelas suas más reflexões. — De como Joaninha
recebeu o primo com os braços abertos, e do mais que entre eles se passou. Dor, meia dor,
meia prazer...
Capítulo XXV More

O excesso da felicidade que aterra e confunde também. — Pasmosa contradição da nossa
natureza. — De como os olhos verdes de Joaninha se enturvaram e perderam todo o brilho.
— Que o coração da mulher que ama, sempre adivinha certo...
Capítulo XXVI More

Modo de ler os autores antigos, e os modernos também. — Horácio na Sacra
via. — Duarte Nunes iconoclasta da nossa história. — A polícia e os barcos
de vapor. — Os vândalos do feliz sistema que nos rege. — Shakespeare lido
em Inglaterra para um bom fogo, com um copo de old-sack sobre a banca...
Capítulo XXVII More

Chegada a Santarém. — Olivais de Santarém. — Fora-de-Vila. — Simetria que não é
para os olhos.
— Modo de medir os versos da Bíblia. — Arquitetura pedante do século XVII. —
Entrada na Alcáçova...
Capítulo XXVIII More

Depois de muito procurar acha enfim o autor a igreja de Santa Maria de Alcáçova. —
Estilo da arquitetura nacional perdido. — O terramoto de 1755, o marquês de Pombal e o
chafariz do Passeio Público de Lisboa. — O chefe do partido progressista português no
alcácer de D. Afonso Henriques. — Deliciosa vista dos arredores de Santarém observada
de uma janela da Alcáçova, de manhã. — É tomado o autor de ideias vagas, poéticas,
fantásticas como um sonho. — Introdução do Fausto. — Dificuldade de traduzir os versos
germânicos nos nossos dialetos romanos.
Capítulo XXIX More

Doçuras da vida. — Imaginação e sentimento. — Poetas que morreram jovens e poetas que
morreram velhos. — Como são escritas estas viagens. — Livro de pedra. Criança que
brinca com ele. — Ruínas e reparações. — Ideia fixa do A. em coisas de arte e literárias.
— Santa Iria ou Irene, e Santarém. — Romance de Santa Iria. — Quantas santas há
em Portugal deste nome?...